O que faz um bom mentor? Qualidades e hábitos que importam
Um bom mentor escuta mais do que fala, compartilha experiência relevante sem transformá-la em instrução e aparece com regularidade até o fim da relação. Relevância e constância importam mais do que senioridade.
Seis qualidades de um bom mentor
- Escuta ativa. Deixe o mentorado terminar e pergunte “O que você já tentou?” antes de dar a sua opinião. Se você fala mais da metade da sessão, está se apresentando.
- Experiência relevante. Já ter feito o que o mentorado quer fazer. Quem foi para gestão de produto há três anos pode ensinar mais sobre isso do que um gestor sênior que nunca fez essa mudança.
- Franqueza. Dizer o que incomoda, com gentileza: “Seu caso para promoção está fraco neste ciclo, e é isto que falta.”
- Confiabilidade. Manter o horário nas semanas corridas. O conselho chega porque a relação existe, e a relação existe porque as reuniões acontecem.
- Curiosidade. Interesse real pela equipe, pelas limitações e pelas opções do mentorado, não pretextos para recontar a própria carreira.
- Discrição. O que se diz nas sessões fica nas sessões. Uma dúvida vazada acaba com a parte útil da relação.
Um cargo importante, uma rede grande ou carisma podem ajudar um pouco. Nada disso substitui estas seis qualidades.
O que um bom mentor faz em uma sessão
Ele deixa o mentorado trazer a pauta, pergunta antes de dizer e termina com um compromisso.
- 1Último compromissoCinco minutos sobre o que aconteceu
- 2Tema do mentoradoO que está vivo para ele agora
- 3Perguntas primeiroFatos, feedback, o que já tentou
- 4Experiência depoisUm caso parecido, com os erros
- 5Um próximo passoCom data
Por exemplo: o mentorado diz “minha promoção foi negada”. Um mentor fraco conta a história da própria promoção negada. Um bom mentor primeiro pergunta que feedback por escrito veio com a decisão, o que o gestor disse e onde pode estar a lacuna. Só então compartilha a sua experiência, voltada para o problema real.
Entre as sessões, um gesto pequeno e específico ajuda: uma vaga encaminhada ou uma mensagem de duas linhas antes de uma apresentação importante. Mostra que o mentor estava ouvindo.
Erros comuns
- O monólogo. As sessões viram a história da carreira do mentor. Os mentorados muitas vezes não reclamam; só param de agendar.
- Respostas instantâneas. Uma solução antes de o problema ser entendido. Parece eficiente e muitas vezes erra o alvo.
- Virar reunião de status. Pedir relatórios de andamento como um gestor. A mentoria deve ser um lugar onde o mentorado pode dizer “estou perdido” sem medo.
- Assumir compromisso demais. Pegar três mentorados em um trimestre cheio de viagens. Uma relação confiável vale mais.
- Silêncio. Os intervalos entre reuniões crescem sem ninguém perceber. Agende a próxima sessão antes de encerrar a atual.
Dá para recuperar o silêncio por mais tempo do que parece, mas não para sempre. Os dados da Mentornity mostram como as chances caem:
- 60 dias sem contato33%cerca de uma em três
- 90 dias sem contato10%cerca de uma em dez
Mentornity, 78.318 matches
Os gestores de programa ficam atentos aos mesmos intervalos. A visão de Saúde do programa da Mentornity, por exemplo, lista os matches sem reunião há 60 dias ou mais. Assim, um lembrete pode chegar enquanto o match ainda tem conserto.
É preciso ser sênior?
Não. Você precisa estar alguns passos à frente no caminho do mentorado, e isso pode significar dois anos, não vinte.
Um aluno do terceiro ano lembra exatamente o que confunde os calouros. Uma analista de 26 anos pode ensinar a um conselheiro como os clientes mais jovens se comportam. Isso é mentoria reversa. Os formatos estão em o que é mentoria.
O que impede alguém de ser mentor é falta de tempo ou de interesse, não um currículo curto. Mentores não precisam de certificação; isso é coisa do coaching, explicado em coaching vs. mentoria.
Como os programas encontram e apoiam bons mentores
- Só voluntários. Mentores convocados tendem a fazer o mínimo. Um convite que as pessoas podem recusar já é um bom filtro.
- Expectativas claras desde o início. Por exemplo: uma hora por mês durante seis meses, a pauta é do mentorado, responder a pedidos de agendamento em até uma semana.
- Match por metas. Um ótimo mentor é o mentor errado se as metas do mentorado não tocam a experiência dele. Veja como fazer o match entre mentores e mentorados.
- Estrutura leve. Uma pauta para a primeira reunião, algumas perguntas sugeridas e uma data de término protegem os matches de se perderem.
- Treinamento curto. Uma orientação de uma hora sobre escuta, limites e confidencialidade basta para começar.
Para montar um programa do zero, veja como criar um programa de mentoria.
A maior parte do que um programa pode fazer pelos mentores é tirar o atrito em volta da reunião: expectativas claras, um match que faz sentido, uma pauta pronta. A Mentornity cuida dessa camada, para que a hora do mentor vá para a conversa.